Olá galerinha, tudo bem?
Vocês sabem né, vida de professora não é nada fácil. Ainda mais professora da rede pública, lembram de uma postagem anterior? Então, além do salário, ou da falta dele, contamos com a falta de materiais pedagógicos, de colegas de profissão, estrutura familiar, problema na aprendizagem, e por aí vai… Para “amenizar” pelo menos a questão salarial, procuro vender umas muambas por aí.
Já vendi doces, calcinhas, artigos eróticos, hoje estou no ramo dos importados (perfumes, bolsas, roupas) e Eudora.
Para vender, você precisa de um fornecedor seguro, barato, que facilite o pagamento… Numa dessas, Ana (minha companheira de profissão e vendas) e eu, achamos um mega fornecedor, ele tinha tudo que a gente precisava e mais um pouco. Pensamos e falamos:
- Opa, nos demos bem, vamos vender bastante e arrumar uma graninha!
Pegamos o carro dela, e lá fomos nós má loja, um sábado de sol, depois do almoço, felizes e contentes (hahahaha).
Vocês sabem que alegria de pobre, ainda mais professoras, dura pouco neh?!
Estávamos lá, escolhendo infinitas mercadorias. Além de nós duas, outras pessoas faziam o mesmo… Eis que pessoas armadas entram na loja.
Eu, em meu “Fantástico mundo de Bobby” pensei:
“Só podem ser os seguranças”
Continuamos a escolher. Um deles diz em tom baixo:
- É um assalto!
Acho que Ana me fazia companhia no “Fantástico mundo de Bobby”, porque ela pensou:
Ah, são colegas dos donos e estão de brincadeira!
Como ninguém os levou a sério, a parada começou a engrossar…
Pediram os celulares (ah, eles nos deixaram tirar chip e cartão de memória), dinheiro, acessórios (cordão, pulseira, relógios, essas coisas). Primeiro, pra variar, fiquei sem o quê? Reação, óbvio! Depois a ficha caiu (gíria meio velha neh, mas sou da época dos antigos orelhões, que para falarmos, usávamos fichas, era criança, mas lembro bem dessa época, pois adorava colocar as fichas). Aí, peguei meu celular, um antigo, um pequeno, humilde, da Motorola, retirei os dois chips (porque pobre aproveita as promoções de todas as operadoras, meu pai, por exemplo, tem 4, praticamente um de cada operadora) e o cartão de memória. Aproveitei pra pedir uma cadeira, pois minhas pernas resolveram não funcionar! Sério, não me aguentei!
Ana, bancou a egípcia, fingindo que nem era com ela. Ficou olhando para os lados, pro alto, pra baixo, nem era com ela. Um dos "gentis senhores" já ficando nervoso disse:
- Qual é Tia, passa logo o celular!
Detalhe, o cara não era novo, era bem mais velho e Ana não gostou de ser chamada de “Tia”.
“Convenci” Ana a entregar o celular, ou melhor, o IPhone dela (estou revirando os olhos, igual ao emoticon do WhatsApp)… Mas antes de passar, Ana fala baixo pra mim:
- Meu IPhone não, custou muito caro!
E, eu:
- Ana, pelo amor de Deus, passa logo essa porcaria!
Assim, Ana foi até o “delicado senhor”, antes de entregá -lo chorando (literalmente) e diz:
- Moço, meu celular não sai o chip e está com a tela quebrada!
E ele gentilmente responde:
- Tá bom Tia, me dá assim mesmo!
E volta Ana (chorando) e dizendo:
- Meu IPhone, meu iPhone…
Ana volta pra onde estava, e eu digo:
- Veja pelo lado positivo Ana, a tela estava quebrada!
Ela se acalmou (um pouco). Até que veio a “segunda parte”... Eles pediram a chave dos automóveis que estavam estacionados, um deles, era o da Ana. Reação da Ana:
- Moço, o senhor vai levar meu carro? Moço não leva, eu sou PROFESSORA!
O “gentil senhor”:
- Tia, me dá logo a chave!
E volta Ana (chorando) e dizendo:
- Meu carro, meu carro…
Depois de limparem a loja e a todxs os presentes, foram embora nos deixando trancados dentro dela.
Acho que o choro da Ana comoveu um dos “gentis senhores”, pois só levaram a chave de seu carro.
Uns 30 minutos depois, chega o segurança da loja e nos tira de lá. Sim, a loja tinha um segurança, mas sabe lá onde ele estava naquele momento...
O dono da loja, nos levou na casa dela, buscamos a chave reserva para pegar o carro.
Quando retornarmos à loja, para buscar o carro, Ana achou que os “gentis senhores” tivessem colocados escutas e câmeras em seu carro (Ana tinha visto muitos filmes de ação na época).
Fomos embora, ou melhor, comprar telefones novos. Quando voltava do shopping, já chegando em casa, Ana se deu conta que ela estava sem as chaves de casa.
Contactamos dois fiéis escudeiros (Regi e Leandro) e voltamos ao “local da tarde maravilhosa” para buscar a chave. Dessa vez não esquecemos nada (ainda bem!).
E assim terminou o nosso sábado, sem roupas (para vender), com celulares novos e com um baita cansaço.
Se for assaltada mais uma vez, usarei a tática da Ana:
- Moço, eu sou PROFESSORA!
Quase mijei de rir!!!!!!
ResponderExcluirObrigada por resgatar meu dia! A pec da morte quase tinha me afundado.
Eu estou enojada com essa maldita pec! Aí, resolvi escrever. Que bom que gostou Ruth
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